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Análise: Giana Sisters: Dream Runners (Multi) é um pesadelo sem fim

Apesar de uma boa premissa misturando corridas e plataformas, o jogo tropeça em seus inúmeros defeitos e deixa de entregar uma boa experiência.


A série de plataforma alemã Giana Sisters começa sua história no distante ano de 1987. Ali temos o lançamento de The Great Giana Sisters para o Commodore 64 e outros computadores da época. Porém, como o jogo apresentava uma incrível semelhança com Super Mario Bros. (NES), a Nintendo operou uma campanha junto a diversos varejistas para retirá-lo do mercado. A série só foi retornar em 2009, com o lançamento de Giana Sisters DS, e sua sequência Giana Sisters: Twisted Dreams. Com o ótimo resultado de mais de 1 milhão de cópias vendidas, a lógica era continuar investindo na franquia. E com uma tentativa de inovar na jogabilidade nasceu Giana Sisters: Dream Runners.

Um bom sonho

O jogo possui uma curta história usada como pano de fundo, que em momento algum lhe é apresentada dentro do jogo. Como Giana finalmente conseguiu derrotar o vilão Overlord e seu exército de corujas durante Twisted Dreams, ela pode acordar de seu sonho tranquila, pronta para mais um dia normal na escola. Porém, os remanescentes do exército-coruja planejam sua vingança no mundo dos sonhos. E pretendem derrotá-la organizando perigosas corridas.
Foram tantas aventuras em um sonho...



A ideia da desenvolvedora Black Forest Games era misturar a jogabilidade de plataformas com velocidade e competição, algo visto no ainda não lançado SpeedRunners e na série Mario Kart. Ou seja, quatro jogadores competindo em um cenário de velocidade frenética para ver quem alcança o final primeiro enquanto utilizam diversos itens para atrapalhar o restante dos competidores. No papel isso parece uma ótima ideia, e a velocidade com plataformas funciona muito bem em jogos como BIT.TRIP RUNNER e 2 Fast 4 Gnomz.

As corridas são travadas em nove estágios diferentes, que funcionam como uma pista de corrida por começarem e terminarem no mesmo ponto, fazendo voltas. Porém, seu objetivo aqui não é realizar um número de voltas, mas derrotar um dos oponentes e estar no primeiro lugar após uma contagem de 45 segundos. O meio mais fácil de derrotar alguém é correr ou atrasar alguém até que o último oponente fique para fora da câmera do jogo. Faça isso e termine em primeiro por três vezes e ganhe a competição. Até aqui tudo é bem tranquilo de se entender.
São nove estágios, limitados a diferenças estéticas. A jogabilidade se mantém igual em todos.

Alternando para o pesadelo

Dream Runners sofre bastante para ter uma funcionalidade boa, começando com seus controles. Você precisa segurar um botão para correr mais, o que é bem simples, porém esse é o mesmo botão que você usa para pular. Isso acaba contraditório já que você está em uma corrida com diversas plataformas e os pulos têm um pequeno atraso do momento em que você pressiona o botão. Fica ainda pior quando você tentar correr e logo após realizar uma série de pulos seguidos de ataques. Algumas vezes esses pulos acabam saindo para um lado diferente do que você estava pressionando, estragando o esforço que você teve até ali.
Os pulos nem sempre funcionam como você quer, então é normal ficar preso durante uma sequência como a Giana roxa.


Outro grande problema é o funcionamento da câmera. A ideia era demonstrar os competidores ao mesmo tempo, porém ela acaba muito afastada na maior parte do tempo, ficando difícil distinguir qual dos personagens é o seu, pois não existe nenhuma identificação durante as corridas. Estar em primeiro vira um problema já que a câmera demora a se movimentar para frente, deixando pouco tempo para reagir a um obstáculo. A confusão piora ainda mais quando utilizam algum dos itens. Fora o movimento que joga três corujas para trás, vai ser difícil entender o que está acontecendo a sua volta. Várias vezes você vai achar que estava na frente e vai acabar morrendo ou vendo outro ganhar.
A câmera só vai se aproximar dos personagens com vitórias. É o único momento que você realmente distingue os personagens.

Correndo da qualidade

O jogo possui visuais coloridos bonitos, que poderiam se destacar ainda mais com as mudanças entre luz e sombras que acontecem ao se pressionar alguns botões durante as corridas. Porém, a distância da câmera não deixa você enxergar essas sutilezas, que acabam sendo visíveis somente durante a contagem de início dos estágios ou na comemoração de vitória de algum dos jogadores. Alternar o estágio entre luz e sombras também altera os obstáculos que estão ativos, mas isso acaba ficando imperceptível devido aos obstáculos inativos pintados de cinza sumirem com a distância da câmera.
Alternar para o mundo das trevas deixa a bola de espinhos desativada. Mas é uma diferença muito sutil para reparar com velocidade.


A trilha sonora dessa versão ficou muito abaixo do restante dos títulos da franquia Giana Sisters, e acaba parecendo algo saído de um jogo barato para celulares. A trilha sonora do primeiro jogo da franquia até hoje faz sucesso na Europa junto a orquestras de videogames, apesar de sua simplicidade. Ela continuou muito bem trabalhada durante Twisted Dreams, que utilizava melodias leves para os momentos de luz, e trabalharam com uma banda de heavy metal para quando os estágios estavam alternados para sombras. Já em Dream Runners, a simplicidade sonora é tão grande que você não distingue nenhuma mudança nos estágios.

Talvez seja melhor acordar logo

Existe uma tabela de rankings online, porém fica difícil saber como essas pessoas estão lá. Tentei em diversos dias e horários procurar outros jogadores, porém nunca encontrava uma sala aberta. Restou apenas a jogabilidade local com bots ou outros jogadores. Isso é muito ruim, já que a parte mais divertida de Dream Runners está na competição com outras pessoas. Disputar com alguém ao lado fica divertido ao ponto de poder ignorar algumas das falhas do jogo. E pelo que pesquisei, esse é problema que afeta todas as versões do jogo, então parece mais um problema de design do que um azar pessoal.

O desenvolvimento dos estágios também não parece ter favorecido nenhuma das propostas iniciais do jogo. Existem características muito simples para tornar um jogo de plataformas interessante e desafiante, assim como áreas muito ruins para criar um bom jogo de corrida com obstáculos.

Giana Sisters: Dream Runners está disponível para PC via Steam e GOG.com, assim como no PS4 e Xbox One via suas respectivas lojas online. Mas a não ser que a produtora Black Forest Games lance algumas correções e regularize a jogabilidade online e, além de tentar, melhorar a resposta dos controles, é melhor continuar longe do título. Mas se a proposta do jogo lhe agradou, o ainda não finalizado SpeedRunners parece mais promissor.


Prós
  • Divertida jogabilidade multiplayer.

Contras
  • Controles pouco responsivos;
  • Câmera dificulta a jogabilidade;
  • Efeitos e trilha sonora muito abaixo do padrão da franquia;
  • Jogabilidade online não funciona.

Giana Sisters: Dream Runners – Multi – Nota 4.0
Versão utilizada: PS4
Revisão: Alberto Canen
Capa: Nívia Costa
Vinicius Eleno é formado em Administração de Empresas pela USP, e mestre em cultura inútil pelas experiências de vida. Desde 1993 gosta de explorar o mundo dos games em seu tempo livre. Pode ser encontrado reclamando da vida no Facebook e Twitter.

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