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Análise: Blackhole (PC) é empolgante e extremamente desafiador

Explore um buraco negro com a ajuda de uma inteligência artificial, resgate sua tripulação e seja o herói nesse incrível jogo de plataforma sci-fi.

Desenvolvido pela FiolaSoft Studio, Blackhole não chega para ser apenas mais um jogo de plataforma qualquer. O game da desenvolvedora indie da República Tcheca mostra que é possível agradar ao público que não dispensa uma jogatina hardcore em 2D e preza por um ótimo visual combinado com uma boa trilha sonora.


A história de Blackhole começa a bordo da nave Endera, que tem a missão de salvar o planeta Terra de terríveis ameaças. O problema começa quando por algum descuido a nave “se choca” com um buraco negro e fica presa em uma espécie de entidade multidimensional. O primeiro sobrevivente é o “cara do café”, que, com a ajuda da inteligência artificial da nave, tenta coletar as peças necessárias para reparar Endera e salvar o restante da tripulação.


Coletando peças, selfburns e caixas pretas

A premissa de Blackhole é que ao juntar os componentes necessários, o “cara do café” poderá reconstruir a nave e sair a salvo com o restante da tripulação dessa entidade multidimensional na qual eles foram parar. Desse modo, o jogo faz com que você não perca o foco desses objetivos de conseguir reunir o maior número de coletáveis possível durante as missões.
Endera... Ficou... Destruída.

Os principais itens para reconstrução da nave Endera são as chamados selfburns, que nada mais são do que nanopartículas robóticas capazes de, se reunidas, fazerem todo o trabalho de reparo sozinhas. De tempos em tempos o jogador deve voltar até a nave para deixar as selfburns por lá e descobrir quantas ainda faltam. Elas podem ser coletadas durante cada missão.

Já as caixas pretas podem ser coletadas no próprio mapa da entidade e elas servem principalmente para um maior entendimento da história. Aos poucos, durante o progresso do jogo, os mistérios são revelados e as caixas pretas possuem papel fundamental nesse contexto.

Olha um selfburn bem ali embaixo!

Seja inteligente e preciso

O mundo de Blackhole é recheado de puzzles, tanto dentro quanto fora das fases. Isso faz com que o jogador se sinta sempre testado. Por ser um jogo de plataforma em perspectiva 2D, os controle básicos são andar para direita, para esquerda e pular. O que torna o jogo ainda mais interessante é a capacidade de virar a gravidade em algumas paredes.

Ao se chocar com uma parede que possui o poder de virar a gravidade, ela passa a ser o chão do jogo. É nesse ponto que a inteligência para coletar todas as peças das missões entra, pois é impossível recolher todos os selfburns sem que você precise descobrir em que ordem virar a gravidade para alcançar certos pontos do mapa da missão. Essa mecânica faz com que Blackhole seja um título bastante inovador e divertido.
Naquele quadrado dá para mudar entre quatro gravidades diferentes!

Além disso, não pode faltar uma certa precisão em alguns pontos, Blackhole em sua dificuldade normal é bastante punitivo, pois caso você morra dentro de uma fase após ter coletado alguma selfburn, você começa a fase do zero, tendo que ir atrás de todas elas novamente. O jogo recomenda o uso de controle e nesse caso foi utilizado um DualShock 3. Nesse sentido, Blackhole também é um jogo bastante receptivo pois permite nas opções que o jogador selecione qual controle está usando para que os botões de ação no jogo apareçam corretamente. É um detalhe que faz muita diferença para os jogadores mais exigentes.
Esse gelo...

Senso de humor é fundamental

Um dos melhores pontos de Blackhole é o seu ótimo senso de humor. Os diálogos são muito engraçados e divertidos. Mesmo em horas de caos, o jogo não deixa de ter aquele ar leve e envolvente. A narração está disponível apenas em inglês ou tcheco e, infelizmente, não há legendas em português.

Para quem tem algum conhecimento da língua inglesa, vale muito a pena colocar o áudio e as legendas em inglês porque as falas não são muito rápidas e dá pra entender bem. Há uma opção de jogar com a narração mínima, mas fica como recomendação jogar Blackhole com todos os diálogos, com certeza não haverá arrependimentos.
Melhores personagens!
O design de Blackhole é um show a parte. Os cenários são muito bem feitos e as fases são muito bonitas. É o tipo de jogo que não dá pra se cansar do visual. De modo similar, a trilha sonora é excelente, mesclando momentos mais discretos com temas mais impactantes. É comum ouvir o som de peças eletrônicas e uma certa progressão na intensidade da música quando passa por algum ponto mais crítico do jogo.

DLC: Testing Laboratory

Se jogar todas as missões em muitas horas de gameplay ainda não forem suficientes, há um DLC disponível para compra chamado “Testing Laboratory”, que parte da premissa de que o “cara do café” resolve fazer um teste para se tornar o capitão da nave Endera e encarar uma nova missão suicida. Tão divertido quanto o jogo e igualmente desafiador, esse DLC expande a experiência do jogador em fases menores e agradáveis que podem ser concluídas em algo em torno de uma hora.
Quantas flexões você consegue fazer?

Não é para todos

É muito importante ressaltar que Blackhole foi pensado para jogadores mais hardcores, os puzzles são realmente difíceis de serem concluídos, não só no que diz respeito a entender o que é preciso fazer em cada missão mas também na maneira correta de executá-la. Morrer e recomeçar é inevitável. Esse fator pode ser bastante desestimulante para jogadores mais casuais ou menos habilidosos.

De todo modo, Blackhole faz com bastante maestria o que se propõe. Apesar de difícil e desafiador, é um belo e divertido jogo. Disponível até o momento apenas para PC, Mac e Linux, os desenvolvedores esperam conseguir até o final de 2015 confirmar versões para outras plataformas. Além disso, haverá também a criação de mais conteúdo extra no futuro, como o já confirmado “Challenge Vault”, que será lançado no dia 30 de outubro.
Tente não morrer...

Prós

  • Diálogos e narrativa bastante envolventes;
  • Puzzles realmente inteligentes;
  • Ótimo senso de humor;
  • Trilha sonora muito boa;
  • Design lindo.

Contras

  • Dificuldade pode comprometer a experiência.
Blackhole — PC — Nota: 9.0
Revisão: Alberto Canen
Capa: Guilherme Kennio

Ana Krishna Peixoto é graduanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é Social Media e Redatora. Suas paixões são os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Facebook e no Twitter.

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