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Análise: Age of Empires: Castle Siege (PC/Mobile): destrua castelos com seu celular

Comande um exército, gerencie sua cidade, defenda seu castelo, reviva a história e acabe com seus inimigos da forma mais casual possível.


Age of Empires é uma das mais clássicas séries do mundo dos games. Popular no gênero RTS (Real Time Strategy, ou Estratégia em Tempo Real, no bom português), ela chega ao cenário mobile fazendo frente a outros jogos que têm feito sucesso nos smartphones, especialmente Clash of Clans (Mobile). Deixando de lado uma enorme parte do que consagrou a franquia, Age of Empires: Castle Siege (PC/Mobile) espera lhe entreter com batalhas rápidas, controles simples e um pouco de história, para não perder o costume.

Extinção indígena

Quem já conhece os títulos precedentes estranhará, com certeza, um Age of Empires tão simples e fácil. O jogo não conta com um mundo grande e aberto, então não é bom esperar mover pequenos homens para minerar, colher madeira e comida, construir, ou caminhar bravamente para as batalhas, já que nada disso é possível. O espaço é limitado, apesar de mais que o bastante para construir sua cidade com os itens que desejar.

Sem a presença de nativos, seus únicos companheiros serão os de batalha, tropas que evoluem de acordo com os upgrades que fará. Mas nada de controlá-los em campo aberto enquanto você comanda sua cidade: eles só servem para as lutas. No lugar dos homens de várias habilidades de sobrevivência, entram os guerreiros. De arqueiro a quirossifão (soldado com lança-chamas), o jogo permite a elaboração de um exército variado, pois há muitos tipos de guerreiros disponíveis — a cavalaria pesada é veloz e útil para adentrar fortalezas rapidamente, acabando com tropas defensivas, mas os cavaleiros teutônicos, que são lentos, mas extremamente fortes, conseguem causar grande dano a estruturas mais resistentes.

Saber que aquela ideia de jogo RTS que tinha na cabeça não é exatamente como imaginava em Castle Siege pode ser decepcionante no início, mas logo depois da primeira batalha já se percebe qual o foco do jogo, e o sentimento que se tinha primeiramente passa a se converter em algo mais satisfatório.

Porrada e bomba

Depois de preparar seu exército e treinar os soldados, é hora de procurar uma cidade para saquear. A busca custa maçãs — um dos três suplementos existentes, além da madeira e da pedra. E a cada vez que durante a procura você quiser pular o adversário para achar outro, mais maçãs serão cobradas. A cidade inimiga é apresentada, e dentro de um tempo limite, que se pode aumentar com upgrades, é possível observá-la, estudando nos poucos segundos disponíveis qual o método de ataque é mais eficaz, ou caso seja melhor, nem tentar e partir para a próxima fortaleza.

É bem-vinda a chance de escolher o inimigo de acordo com suas limitações na própria visão, apesar de que o sistema já faz isso sozinho apresentando rivais a altura. Entretanto, com o passar das eras, o custo de maçãs aumenta, e você pode acabar fazendo um rombo nas contas da própria cidade inconscientemente, então é bom planejar os ataques com sabedoria.


Sendo feita a decisão, as tropas inimigas de defesa já ficam em prontidão, esperando o começo do ataque. Em seu caminho há torres com arqueiros, muralhas guarnecidas por soldados, estepes para dificultar a locomoção, campos que se transformam em fogo, casas que liberam mais tropas de tempo em tempo. O castelo está no meio, cercado por tudo isso, sendo ele o grande alvo. Nos cinco minutos oferecidos, a tensão toma conta do jogador, tentando ele a todo custo usar da melhor forma seu exército para que a vitória seja alcançada.

No momento da batalha, as tropas não estarão todas no campo. Um menu será exibido com os esquadrões disponíveis. É possível poupar alguns para investidas futuras, usando todos somente se necessário. A jogabilidade é fácil e bastante intuitiva. Toque na tropa em campo e arraste até o alvo. Os componentes seguirão o trajeto desenhado. Não é difícil de aprender, não é mesmo?
 

Algumas dificuldades marcam presença. Durante as batalhas não é tão raro que haja uma interrupção por “falha do servidor”. O progresso não é perdido, mas continuado. As tropas postas em campo continuam o trabalho de destruição de modo automático. Porém, sem o controle do jogador, pode ser que elas não sigam a tática esperada e acabem por perder a oportunidade de vitória. Felizmente, o jogo recebe muitas atualizações para eliminar, principalmente, os erros de conexão, assim como para equilibrar o game e acrescentar novidades.

Para os que não querem gastar maçãs com buscas de adversários, desejam algum combate mais difícil ou mesmo querem evitar o risco de ter a conexão perdida com o servidor durante uma partida online, há os Desafios Históricos. Exatamente dez missões com o único objetivo de destruir o castelo. As tropas são pré-configuradas, assim como os heróis, e por mais alto nível que estejam ambos, a dificuldade imposta é extremamente alta para qualquer jogador. As batalhas têm contexto histórico e revivem as famosas disputas ocorridas séculos atrás, como o Cerco de Orléans, vitória francesa decisiva na Guerra dos Cem Anos que consagrou Joana D’Arc, heroína anos depois entregue à Inglaterra por seu país de origem pelo qual lutou, a França, e queimada viva.


Para ajudar nas batalhas, há uma seleção de 18 heróis, personalidades marcantes da história, três de cada império. Cada um possui uma habilidade especial. Belisário, o mais simples do império bizantino, tem o poder de destruir muralhas, facilitando assim a invasão da fortaleza. Joana D’Arc, a valiosa do império franco, persuade os inimigos em volta a mudar de lado e contribuir na batalha junto com os saqueadores. Dos dezoito, você pode escolher um, sendo possível comprar espaço para outro, que tem o potencial de decidir o rumo da batalha. Vitória ou derrota?

Qual o preço à vista?

Os itens se dividem em quatro categorias — militar, economia, fortificação e honra. Dentre eles há diversos itens à venda. “Militar” oferece academias para preparar novos tipos de guerreiros, “economia” dispõe fontes de comércio para que receba suplementos mais rapidamente, “fortificação” tem foco na defesa da sua fortaleza, “honra” é para objetos que não agregam valor financeiro, de poder ou defesa, que só servem para exibir uma certa ostentação, até porque geralmente não são baratos, mesmo existindo um único gratuito.
Opa! Presente!!

Apesar dos muitos itens disponíveis para compra, a grande maioria deles são de um custo elevado ou seus upgrades são. Não há muito do que se reclamar ao levar em conta que o jogo é gratuito e é necessário alguma forma de renda para a equipe por trás dele. O que alivia é a falta de obrigatoriedade nas despesas em dinheiro real. Não há um único objeto ou upgrade que seja preciso gastar com dinheiro de fora do jogo. Provavelmente você vai demorar para juntar os recursos necessários para fazer atualizações do castelo (avançar era), mas não há porque se preocupar tanto quando se tem uma boa paciência.

Socializando

Aproveitando a integração com a Xbox Live, o jogo utiliza o perfil do jogador para atribuir conquistas, ver as cidades de amigos e conversar com outros membros da aliança que esteja participando.


As alianças são de um papel importante, não ficam somente como exibição de um escudo criado. Eles tornam o jogo mais dinâmico, seja com a participação de outros membros com comentários dos replays de batalhas compartilhadas, seja recebendo tropas de ajuda para colaborar na defesa da sua fortaleza.

Um port? Não

Age of Empires: Castle Siege introduziu a franquia ao mercado mobile, levando história e batalhas rápidas para as telas de um simples celulares até monitores Full HD acostumados a rodar jogos de maior elaboração, aproveitando-se da Xbox Live para criar laços entre os jogadores e satisfazer os caçadores de conquistas. As batalhas são curtas e carregadas de emoção. Todo o tipo de tropa é disponibilizado para atacar com força e destreza, todo tipo de defesa é oferecido para que contenha os invasores do jeito mais rápido e eficiente possível. Você não vai querer perder suas coroas e, se perder, aproveite e faça vingança.

Os upgrades podem ser caros, mas é um preço a se pagar por sua gratuidade. Não é preciso comprar com dinheiro real, mas só depende da vontade — e do bolso — do jogador. Se a conexão com o servidor falhar, a sorte é lançada para que suas tropas façam um bom trabalho sozinhas. Entretanto, a evolução do jogo é constante. Atualizações estão sempre sendo lançadas, com diversas mudanças no game para torná-lo mais justo, divertido, e com menos bugs.

Ainda que seja difícil para alguns fãs mais “conservadores” jogar Age of Empires: Castle Siege, não é de se questionar as suas mudanças para uma plataforma mobile. Acertos e erros são notados, mas com certeza há um aglomerado de acertos. O jogo completou um ano, foi lançado em uma segunda plataforma (iOS) e atualizado para o Windows 10. Age of Empires chegou aos pequenos aparelhos de forma estranhamente casual, mas certamente promissora.

Prós

  • Sincronização multiplataforma;
  • Grande quantidade de itens para compra;
  • Batalhas online emocionantes;
  • Conexão à Xbox Live;
  • Desafios Históricos;
  • Diversas tropas e heróis;
  • Atualizações constantes;
  • Relação com a história.

Contras

  • Erros de conexão durante partidas;
  • Preços de compra bastante caros.
Age of Empires: Castle Siege ⎯  iOS, PC, Windows Phone ⎯  Nota: 8
Plataformas utilizadas para a análise: PC e Windows Phone
Revisão: Luigi Santana
Capa: Daniel Serezane
Janderson Oliveira ainda não chegou ao patamar de universitário por estar no Ensino Médio, entrou no GameBlast com o intuito de unir o que aprendeu em sala com o que andou jogando enquanto deveria estudar para Química. Tem Facebook caso queiram catalogar a espécie.

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