Indie Blast

Conheça a Splitplay, primeira loja voltada aos games indies brasileiros

Nova loja digital de jogos pretende divulgar o que de melhor é produzido no Brasil e na América Latina.

Quando você pensa em jogos brasileiros, sabe onde encontrá-los? Eles estão por aí há algum tempo, alguns fazendo grande sucesso comercial e crítico, como Knights of Pen and Paper, da Behold Studios e que recentemente alcançou seu primeiro milhão de dólares em vendas, ou Toren, da Swordtales, primeiro a captar recursos através da Lei Rouanet de incentivo à Cultura. Mas, mesmo quando chamam atenção lá fora, eles parecem passar despercebidos por grande parte do público nacional. Contudo, esse cenário pode estar prestes a mudar graças à iniciativa de um grupo de jovens.

Mais destaque aos jogos nacionais

Rodrigo Coelho tem apenas 25 anos, mas já foi Game Designer do Nano Studio, desenvolvedor do jogo de estratégia Favela Wars. Foi nesse período que ele começou a fazer contatos e compreender melhor como funciona o ecossistema da criação de jogos no Brasil. Não tardou para ele descobrir que a nossa indústria precisa enfrentar algum problemas extras.

 “Fui percebendo que não era coisa da minha cabeça, todos eles [desenvolvedores brasileiros] passavam pelo mesmo problema: distribuição e reconhecimento”, diz Rodrigo. “Existe muita gente produzindo jogos indies no Brasil, mas todos enfrentam um problema sério para serem reconhecidos em seu próprio mercado. Jogos brasileiros de grande sucesso como Oniken, Knights of Pen and Paper, Damned, etc., sequer são conhecidos pelos brasileiros. São reconhecidos muito mais lá fora. Mesmo nossa mídia especializada fala pouco e sabe pouco deles”.
Identificado esse problema, o Rodrigo chamou dois colegas da PUC-Rio, o Eric Salama e o Henrique Bejgel, e juntos eles passaram a dar palestras sobre o mercado indie tanto no Brasil quanto no exterior. Nesse meio tempo, conheceram o ex-presidente da IGDA (International Game Developers Association) e atual consultor de governos Jason Della Rocca. Foi ele quem abriu os olhos do time para a grande oportunidade de negócios que são os videogames e para a carência de uma boa fonte de distribuição destes jogos em nosso país. Segundo o Rodrigo, “o Brasil em grande parte só tem contato com o que vem de grandes sites internacionais como Steam, Good Old Games e Humble Bundle, acho que isso é parte do motivo pelo qual falta divulgação, mesmo não faltando qualidade”. Assim surgiu a proposta da Splitplay, uma loja digital de jogos “igual ao Steam”, segundo o próprio site, mas voltada exclusivamente aos títulos brasileiros e dos demais países latino-americanos, de forma que eles tenham seu espaço próprio de distribuição e divulgação. A plataforma de vendas tem sido desenvolvida desde 27 de junho de 2013 e agora está próxima do seu lançamento.

“O Governo já está criando diversos programas de apoio a startups, só ano passado foram três novos (e por sinal passamos em dois deles), então estamos fazendo a nossa parte para ajudar o mercado interno, criando uma forma eficiente de distribuição e valorização da ótima produção de jogos que temos aqui no Brasil e na América Latina”.

Uma loja indie para games indies

O objetivo da Splitplay é “melhorar o ecossistema de desenvolvimento de jogos daqui provendo aos desenvolvedores e aos jogadores uma loja local onde se pode encontrar os incríveis jogos indies sendo feitos aqui no Brasil e na América Latina como um todo”, além de fornecer à mídia especializada uma referência para encontrar jogos sendo criados, comenta o Rodrigo Coelho. Mas apenas criar outra opção de loja digital de jogos entre as tantas que já existem, inclusive uma representante brasileira, a Nuuvem, não necessariamente melhoraria alguma coisa. É por isso que a Splitplay, talvez por também ser um projeto independente, como os criadores gostam de lembrar, apresenta características bastante vantajosas para os desenvolvedores.

“Assim como diversos estúdios indies, nós também começamos do zero bancando tudo com nosso próprio dinheiro. Por sorte esses programas de startups citados anteriormente reconheceram nosso bom trabalho e a importância dele para nosso mercado crescer e estão nos ajudando com orientação, divulgação e fundos, sem pedir nada em troca. O próprio governo sai ganhando com a movimentação da economia, então não estamos sequer sendo bancados por ninguém que mande na nossa direção, somos uma startup 100% independente”, frisa o idealizador do site.

Entre os atrativos da loja para os estúdios de jogos e consumidores pode-se mencionar que ela não é self-publishing, ou seja, os títulos precisam ser aprovados, o que impede que o catálogo seja inundado por clones de games de sucesso como aconteceu com Flappy Bird ou por produtos inacabados, a inexistência de uma taxa de inscrição ou necessidade de qualquer outro pagamento fora os royalties padrões, liberdade para lançar um jogo em qualquer outra loja e divulgação dos games ofertados.

O time

Conheça quem está por trás da Splitplay.
  • Rodrigo Coelho (25 anos) - Game Designer | Chief Executive Officer ou CEO (graduado em Design para Mídias Digitais PUC-Rio)
  • Eric Salama (24 anos) - Designer de UX | Chief Creative Officer ou CCO (graduado em Design para Mídias Digitais PUC-Rio)
  • Henrique Bejgel (21 anos) - Desenvolvedor |  Chief Technology Officer ou CTO (formando em Engenharia da Computação PUC-Rio)
  • Dimas Cyriaco - Desenvolvedor Sênior
  • Gustavo Corrêa - Desenvolvedor de Interação visual (front-end)
  • Gabriel Dantas - Desenvolvedor de interação visual (front-end)
O lançamento do Splitplay está bem próximo! Nesta quarta-feira, dia 7, às 16h, acontecerá uma conferência online entre desenvolvedores e jornalistas (me procurem lá), quando saberemos quais jogos estarão disponíveis na estreia. Se você possui um game e gostaria de vê-lo à venda no novo site, pode enviá-lo através da página atual do projeto.
Revisão: Bruna Lima
Capa: Douglas Fernandes
Bruno Grisci é graduando em Ciência da Computação na UFRGS. Gosta de discutir qualquer assunto, incluindo videogames, tópico que o fascina desde sempre. Suas reflexões podem ser lidas no Blast desde 2011, onde é redator e diretor de pautas. Encontre-o no Twitter.

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